domingo, 30 de setembro de 2007

Entoando a canção da vida do Mestre dos mestres!

Tenho trabalhado com o chamado ministério de louvor há alguns anos. Pelo que lembro, uma das minhas primeiras experiências foi na Igreja que meu pai pastoreava no interior do Rio Grande do Sul, aos 17 anos, quando fizemos um encontro de grupo de jovens, e eu me reuni com alguns músicos, sem entender muito sobre o assunto, e "ministramos o louvor". Foi um tempo precioso, onde Deus começou a falar comigo. Aliás, lembro também que essa foi a primeira vez que ouvi Deus me dando uma direção sobre minha vida e ministério.
De lá pra cá, muita coisa aconteceu na minha vida, e no mover de louvor e adoração pelo Brasil. E eu também vi muita coisa em algumas viajens que o Cordeiro me permitiu fazer. Percebo que muita coisa evoluiu no sentido musical. Há anos atrás, além de Asaph, Adhemar, Daniel de Souza e Koinonia com o Bené, Kléber, Alda Célia, ouvia-se muita "música de fora", com Marcos Witt, Ron Kenoly e a Hozanna Music. Nos últimos anos, muitas coisas foram feitas no Brasil. Músicas boas, outras nem tanto, originais e cópias de "unções", modismos, manifestações plenas e genuínas, exageros, algumas coisas que mais parecem "mantras", como o Pr. João de Souza nomeia em um de seus artigos. Então, percebe-se que há uma evolução em muitos aspectos, e uma certa regressão em outos. É o que se ve quando alguns ministros ficam tentando copiar a unção de outros. Acredito que isso tenha mudado, mas há algum tempo via-se por aí muitos Davidzinhos, Aninhas e Cirilinhos. Plágios muito malfeitos dos originais. Junto com a evolução do que é bom e regressão naquilo que não é saudável, tenho me preocupado com uma tendência: a definição de certos termos, como a palavra adoração.
Resumiu-se adoração como música, estilo musical, momento de louvor, manifestações. Você já deve ter ouvido uma frase mais ou menos assim: "Agora descobrimos a verdadeira adoração" ou "hoje vivemos a verdadeira adoração". Sério? Então, o que os pais da igreja viveram não era adoração? Jesus não viveu a verdadeira adoração? E Paulo, Pedro, Timóteo, João, Tiago?! E Lutero, Calvino, etc.? E aqueles amados que morreram no passado vítimas de perseguições? E os Vencedores por Cristo, Logos, Janires, Gerson Ortega, Nelson Bomilcar, e outros da geração anterior? Levando em conta essas afirmações, devo admitir que Jesus não era adorador, afinal de contas, encontrei somente uma passagem em que ele cantou um hino. É o problema da terminologia! Alguém pode dizer que é só terminologia. Mas, penso que com terminologia, temos um grande problema. Definição muda tudo.
Pensando em definição, quero propor que estudemos, nos próximos dias, qual era a música que Jesus cantava. Sim, vamos entender adoração a partir da vida daquele que mais nos tem a ensinar sobre o assunto. A adoração de Jesus não era uma música que ele cantava pra criar um clima antes de começar a pregar para a multidão que estava ao pé do monte. Não se resumia a canção que ele entoou depois da ceia, antes de sair para o Monte da Oliveiras.
Quando Jesus conversou com a mulher samaritana, ele não estava dizendo que os verdadeiros adoradores "cantarão" em espírito e em verdade. A adoração que Jesus viveu e ensinou tem a ver com vida, relaciona-se com obediência. Tem a ver com chegar no final da vida ou ao final de cada dia e poder dizer: "eu te glorifiquei, terminando a obra que confiastes a mim..." ou "eu te glorifiquei no dia de hoje, obedecendo aos teus preceitos, amando ao meu próximo, sacrificando a minha vontade em favor de fazer a tua". A vida de Jesus cantou mais alto do que sua voz. A música entoada pela sua vivência foi mais afinada do que qualquer canção que ele pudesse entoar junto com a maior orquestra que pudesse existir.
Pensando nisso, quero convidar você a entender comigo alguns princípios que demonstram um ensinamento de adoração genuína na vida do Mestre, comparando-a com uma canção.

1. O verso do lava-pés
"...levantou-se da ceia, tirou o manto, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois, deitou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido." - Jo. 13.4 e 5(¹).
Não sou teólogo, mas alguns teólogos, comentaristas e historiadores dizem que lavar os pés dos visitantes era uma atribuição dos escravos do anfitrião. E Jesus faz exatamente isso. Fico imaginando quão sujos deviam estar aqueles pés dos discípulos. Não tinham carro, andavam a pé, e seus calçados eram sandálias. Não creio que tivessem o costume tupiniquim de banhar-se todos os dias, mas tinha-se o costume de lavar os peś, e parece que era isso que os escravos faziam. Era até questão de respeito para com os convidados, maneira de honrá-los. E é isso que o Mestre faz. Assume uma posição de escravo e, inclina-se para lavar os pés dos discípulos.
É o verso do lava-pés, onde Jesus ensina o princípio da humildade. Assume essa posição para dizer exatamente quem ele é. É o mestre que, apesar de ser igual a Deus, inclina-se para servir aos seus. Ensina-nos que, antes de cantarmos canções lindas precisamos viver uma vida de humildade. Uma vida de serviço aos irmãos. O verso da humildade é o verso do preferir em honra uns aos outros, é o verso do amor. É a parte da canção da vida de Jesus que ensina que, antes de cobrarmos algo do nosso irmão, devemos nos dispor para serví-lo. O lava-pés nos ensina a amar o próximo até as últimas consequências.
Vem-me a memória um fato ocorrido em uma Igreja de Brasília. Uma irmã estava há alguns dias sem vir as reuniões. Num determinado domingo, ela aparece para um evento, e um dos pastores, de maneira irônica, informa que a Igreja está no mesmo lugar. A pobre irmã ficou sem jeito. Depois, recebi a informação de que essa amada não vinha as reuniões porque estava com sérios problemas em seu casamento, passando por inúmeras dificuldades. E, o pastor não teve capacidade para perguntar se aquela irmã simples estava passando por alguma dificuldade, se estava precisando de ajuda em oração, se precisava que comprasse algum remédio. Precisamos aprender a cingir-nos com uma toalha, encher uma bacia d'água e ir até os nossos irmãos e dizer-lhes que eles merecem ter seu pés lavados. Quantos pés cansados da caminhada temos ao nosso redor. Quantos pés sujos pela poeira das dificuldades da vida temos em nossas igrejas.
Talvez, haja uma preocupação demasiada com a performance dos nossos cultos, nossos ministérios de música, que não há espaço na nossa agenda para olharmos para os nossos irmãos. E, com nossas atitudes, no lugar de nos inclinarmos, levantamo-nos e pisoteamos aqueles a quem devíamos servir. Precisamos entender que o verdadeiro adorador tem um compromisso com a humildade, com o amor ao próximo, com o serviço aos santos. Não há como amar a Deus e não amar o meu próximo. Não há como amar a Deus e ter um coração cheio de soberba. E adoração tem a ver com amar a Deus acima de tudo. E amar a Deus reflete-se em amor ao próximo. Jesus adorou. Mas ele não adorou com música. Era prática! Vida! Vida de humildade. Esse é o compromisso que devemos ter.
Estou indo comprar uma bacia. E uma toalha 100% de algodão e um sabonete. O mais perfumado. Quero ser humilde o suficiente para servir o meu próximo. Só assim, poderei cantar aquela canção do Daniel de Souza: "Recebi um novo coração do Pai..." Que sejamos os verdadeiros adoradores que tem compromisso com a canção da bacia e da toalha! A exemplo de Jesus!
(¹) Bíblia Revista e Corrigida de Almeida segundo os melhores textos em grego e hebraico.

Continua!!!

Um comentário:

Faculdade Teológica disse...

Que Deus continue abençoando seu trabalho e nos edificando com seus post Fica Na Paz!!!!
Abs!
Faculdade Teológica